
Introdução: O Que é o Glúten e Sua Presença na Alimentação Humana
O glúten é um complexo proteico presente em cereais como trigo, centeio e cevada.
Sua história remonta às primeiras civilizações agrícolas, que domesticaram gramíneas para subsistência.
O trigo moderno, derivado de múltiplos cruzamentos genéticos ao longo dos séculos, resultou em uma maior expressão de gliadinas, proteínas que conferem elasticidade à massa, mas também podem ter efeitos imunogênicos adversos.
O glúten é composto principalmente por duas frações proteicas:
Gliadina: Responsável pela extensibilidade da massa e altamente imunogênica.
Glutenina: Confere elasticidade e contribui para a estrutura do pão.
Está presente em diversos produtos alimentares, tanto de forma natural (pães, massas, cervejas) quanto como aditivo industrializado, podendo ser encontrado em molhos, embutidos e produtos processados.

O médico especialista em Lipedema é o Cirurgião Vascular.
O Dr Jean Pádua é Cirurgião Vascular em Brasília.
Atende atualmente em consultório na cidade de Brasília (Lago Sul, Asa Sul e Águas Claras)
Dr. Jean Pádua é Cirurgião Vascular membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
Com Residência Médica em Cirurgia Vascular pelo Hospital de Base do Distrito Federal.
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Genética do Trigo e a Evolução das Proteínas do Glúten
O trigo moderno (Triticum aestivum) é um hexaplóide resultante da hibridização entre três espécies ancestrais: Triticum urartu, Aegilops speltoides e Aegilops tauschii.
Essa evolução teve como objetivo aumentar a produtividade e a resistência a pragas, mas trouxe consequências para sua composição proteica.
O trigo ancestral continha menos gliadina, tornando os pães mais densos e menos elásticos.
Com a hibridização, o trigo moderno passou a conter maiores quantidades dessas proteínas, resultando em uma massa mais macia e palatável, facilitando a panificação e a aceitação pelo consumidor.
No entanto, essa modificação levou a um aumento da imunogenicidade e a processos inflamatórios associados a diversas condições, incluindo doenças autoimunes e distúrbios metabólicos.

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Estudos demonstram que a seleção artificial aumentou a concentração de frações proteicas como a alfa-gliadina, tornando o trigo moderno mais resistente, mas também potencialmente mais inflamatório para indivíduos predispostos.
O aumento da resposta imunológica ao glúten em algumas pessoas pode estar diretamente ligado a essas alterações genéticas, reforçando a relação entre a modernização do trigo e a maior incidência de desordens relacionadas ao glúten.
Alfa-Gliadina, HLA-DQ2/DQ8 e a Cascata Inflamatória no Lipedema
A alfa-gliadina, uma fração do glúten, contém sequências altamente resistentes à degradação enzimática, como o peptídeo 33-MER.
Esse fragmento é rico em prolina e glutamina, tornando-se um alvo difícil para as proteases (enzimas) intestinais.
Essa resistência favorece sua interação com o sistema imunológico, desencadeando reações autoimunes em indivíduos portadores dos haplótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8

Cerca de 95% dos celíacos possuem HLA-DQ2, enquanto 5% possuem HLA-DQ8. Essas moléculas apresentam peptídeos de gliadina para linfócitos T CD4+, ativando uma cascata inflamatória que resulta na destruição da mucosa intestinal.
A ativação do sistema imunológico não se restringe ao intestino, podendo levar a um aumento da inflamação sistêmica e ao desenvolvimento de desordens inflamatórias crônicas, como o lipedema.

Glúten, Leaky Gut e Lipedema
O conceito de Leaky Gut (intestino permeável) refere-se a um aumento da permeabilidade da barreira intestinal, permitindo a passagem de moléculas indesejadas para a circulação sistêmica.
A gliadina, fração do glúten, tem um papel central nesse processo ao ativar o receptor CXCR3, estimulando a liberação de zonulina, uma proteína que regula as junções estreitas entre as células epiteliais do intestino.
O aumento da zonulina leva à abertura dessas junções, permitindo que fragmentos proteicos do glúten, toxinas e outras moléculas entrem na corrente sanguínea, desencadeando respostas imunológicas e inflamatórias.

Essa permeabilidade aumentada pode ser um fator agravante para indivíduos com lipedema, uma vez que a inflamação sistêmica associada ao Leaky Gut pode intensificar a disfunção endotelial, contribuir para a retenção de líquidos e amplificar a resposta inflamatória no tecido adiposo.
Além disso, a inflamação crônica pode aumentar a sensibilidade à dor e agravar os sintomas característicos do lipedema.

Diferença entre Intolerância ao Glúten e Sensibilidade ao Glúten
A intolerância ao glúten e a sensibilidade ao glúten não celíaca são condições distintas, embora compartilhem alguns sintomas semelhantes.
A principal diferença está no mecanismo fisiopatológico envolvido:
Intolerância ao glúten (Doença Celíaca): É uma doença autoimune mediada pelo sistema imunológico, na qual o glúten desencadeia uma resposta inflamatória que leva à atrofia das vilosidades intestinais.
Está associada à presença dos haplótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8 e pode ser diagnosticada por exames específicos, como anticorpos anti-transglutaminase, anti-endomísio e biópsia intestinal.

Sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC): É uma condição na qual o indivíduo apresenta sintomas adversos ao consumir glúten, sem evidência de autoimunidade ou atrofia das vilosidades intestinais.
Os sintomas podem incluir dor abdominal, fadiga, inchaço e alterações intestinais.
O diagnóstico é feito por exclusão, descartando-se a doença celíaca e a alergia ao trigo, e observando melhora dos sintomas com a retirada do glúten.

A Retirada do Glúten da Dieta é Benéfica para Todos?
A eliminação do glúten da dieta é essencial para indivíduos com doença celíaca e pode trazer benefícios para pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca.
No entanto, para indivíduos saudáveis, não há evidências científicas robustas que sustentem a necessidade de excluir o glúten da alimentação.
O risco de retirar o glúten sem necessidade pode incluir déficits nutricionais, como menor ingestão de fibras, vitaminas do complexo B e ferro, especialmente se não houver substituições adequadas.

E o impacto do Glúten no Lipedema ?
No caso do lipedema, há uma hipótese crescente de que a retirada do glúten pode ser benéfica para pacientes que apresentam inflamação crônica de baixo grau.
O mecanismo envolvido se relaciona à permeabilidade intestinal aumentada pelo consumo de glúten, promovendo inflamação sistêmica e piora do metabolismo do tecido adiposo.
Algumas pacientes relatam melhora dos sintomas, como redução da dor e da retenção de líquidos, após a adoção de uma dieta sem glúten.
Embora não existam estudos clínicos controlados que confirmem diretamente essa relação, a remoção do glúten pode ser uma abordagem interessante para pacientes com lipedema que apresentam sinais de inflamação exacerbada ou doenças autoimunes associadas.
A recomendação é que qualquer modificação na dieta seja feita sob orientação de um profissional de saúde, garantindo a adequação nutricional e monitorando a resposta individual ao novo padrão alimentar.

Como Substituir o Glúten na Dieta e os Desafios no Mundo Moderno
A retirada do glúten da alimentação pode ser um desafio no mundo ocidental moderno, onde os alimentos à base de trigo são predominantes.
Muitos produtos industrializados contêm glúten, mesmo aqueles que não parecem óbvios, como molhos, temperos, embutidos e até chocolates.
A transição para uma dieta sem glúten exige planejamento e conhecimento para evitar deficiências nutricionais.
Dificuldades da Exclusão do Glúten
Custo: Produtos sem glúten costumam ser mais caros e nem sempre são acessíveis em todos os mercados.
Disponibilidade: Restaurantes e estabelecimentos comerciais ainda oferecem poucas opções para quem não consome glúten.
Paladar e Adaptação: A mudança na textura e sabor de pães, massas e bolos sem glúten pode ser um fator limitante para muitas pessoas.

Alternativas Práticas para Substituir o Glúten
Aveia sem glúten: A aveia naturalmente não contém glúten, mas pode ser contaminada durante o processamento. Para indivíduos celíacos ou sensíveis ao glúten, é essencial escolher aveia certificada sem glúten. Ela é uma excelente fonte de fibras e pode substituir farinhas em diversas preparações.
Farinha de arroz: Excelente para pães e bolos, mas precisa ser combinada com outros ingredientes para melhorar a textura.
Farinha de amêndoas: Rica em gorduras saudáveis e com sabor neutro, ótima para receitas de panificação.
Farinha de coco: Fonte de fibras, mas precisa de mais umidade nas receitas.
Quinoa: Pode ser usada em grãos ou na forma de farinha para substituir trigo em várias receitas.
Milho e fubá: Alternativas tradicionais para preparar receitas como pães e mingaus.
Tapioca e polvilho: Ótimos substitutos para pães e massas leves.
Leguminosas (grão-de-bico, lentilha, feijão): Podem ser usadas como base para pães e massas.

Referências
Fasano, A. (2012). “Leaky Gut and Autoimmune Diseases.” Clinical Reviews in Allergy & Immunology.
Sapone, A., et al. (2011). “Diversity of gluten-related disorders.” BMC Medicine.
Hadjivassiliou, M., et al. (2015). “Gluten sensitivity: from gut to brain.” The Lancet Neurology.
Junker, Y., et al. (2012). “Wheat gluten intake increases intestinal permeability.” AJCN.